A doce seiva das árvores – Mais xarope de ácer graças ao vácuo

A doce seiva das árvores – Mais xarope de ácer graças ao vácuo

O xarope de ácer canadiano tem vindo a tornar-se extremamente popular em todo o mundo. As bombas de vácuo são utilizadas para extrair a seiva diretamente da árvore.
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Segundo a lenda, foi uma nativa americana da tribo Iroquois que descobriu a incrível doçura da seiva proveniente do açúcar de ácer. Extraiu água de um tronco de árvore oco e reparou no precioso sabor. O certo é que os habitantes da América do Norte já exploravam as árvores muito antes de Cristóvão Colombo, recolhiam a seiva em pequenos recipientes e ferviam-na até formar o xarope.

Os colonizadores europeus adotaram a preferência pelo saboroso produto e os respetivos meios de extração. No início, permaneceu sem alterações durante muito tempo. Foi só no final do século passado que o processo começou a ser mais eficiente, utilizando novas tecnologias. Naquela altura, eram ligadas mangueiras às torneiras introduzidas nas árvores. Em vez de pingar para baldes individuais, a seiva fluía para contentores de recolha maiores. As bombas de vácuo também foram utilizadas pela primeira vez para transportar o fluxo.

No entanto, os novos métodos tinham as suas desvantagens. A seiva de ácer só pode ser recolhida na primavera, quando as árvores terminam a sua hibernação e se preparam para florir. As noites ainda são frias nessa altura do ano – o que significa que as torneiras de metal e encaixes tendem a congelar e a bloquear o fluxo da seiva. Da mesma forma, não estavam bem apertadas e não era possível manter um nível de vácuo elevado. Esta situação levou o canadiano Donald Lapierre a desenvolver, nos anos 70, um sistema de extração que utilizava componentes de plástico. Fundou também a empresa Les Équipements Lapierre para produção e marketing.

Através deste método, era possível recolher a seiva de ácer com muito maior eficiência. As torneiras de plástico eram também muito mais pequenas do que os dispositivos convencionais, o que era bom para as árvores. O Maple Research Center (Centro de Investigação do Ácer) na Universidade de Vermont investigou os efeitos da utilização da tecnologia de vácuo em árvores e estudou a qualidade do xarope, revelando que nem a saúde das árvores nem a qualidade do xarope são afetadas como resultado.

Atualmente, a produção em massa baseia-se nesses sistemas, aos quais milhares de árvores estão ligadas. No entanto, até há pouco tempo a maioria das explorações de ácer utilizava bombas de vácuo de palhetas rotativas lubrificadas com óleo e de anel líquido. Este tipo de bombas de vácuo requer manutenção regular, o que envolve um esforço considerável quando são utilizadas de forma dispersa pelas florestas entre o Missouri e o Quebec.

Mais uma vez, a Lapierre Equipment encontrou a solução ideal. A empresa, que até hoje é gerida pelo seu fundador, oferece sistemas de extração com bombas de vácuo de rotores de garra Mink da Busch. As bombas de vácuo a seco não requerem qualquer fluído de operação e praticamente não precisam de manutenção. Produzem um vácuo totalmente limpo, não precisam de fluidos de operação e, por isso, são ideais para manusear alimentos. Por ter desenvolvido esta solução, a Les Équipements Lapierre foi anunciada em novembro de 2018 como a vencedora do Prémio de Inovação de Vácuo anual da Busch.

O xarope de ácer é constituído principalmente por sacarose e frutose. Por isso, é basicamente um adoçante e, sendo assim, aplica-se a mesma sensatez no que toca a todas as coisas doces: desfrutar com moderação! Contudo, o seu teor de açúcar é de apenas 66 a 68 por cento. Por este motivo, afeta o índice glicémico de forma menos significativa do que o açúcar ou o mel, ao mesmo tempo que oferece um sabor doce maravilhosamente único.

Além disso, com exceção do espessamento, o xarope de ácer é uma matéria-prima natural que contém um número de ingredientes altamente desejáveis, para além dos hidratos de carbono e água. Isto inclui várias vitaminas e minerais, bem como fenóis, que podem ter um efeito antibiótico. Já os nativos americanos utilizavam este doce como medicamento contra inflamações e infeções. Foi comprovado, mediante um teste laboratorial, que o extrato de xarope de ácer pode aumentar consideravelmente os efeitos de antibióticos. Para algumas estirpes de bactérias, a dose poderia ser reduzida em mais de 90 por cento. As investigações só agora começaram, mas é esperado que os fenóis do ácer venham a fornecer uma nova forma de reduzir a resistência aos antibióticos.


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