No rastro dos usuários de doping – A espectrometria de massa no vácuo detecta substâncias ilegais

No rastro dos usuários de doping – A espectrometria de massa no vácuo detecta substâncias ilegais

O doping está disseminado nos escalões mais altos de vários esportes, mas é difícil de provar. A detecção de agentes que melhoram o desempenho em amostras de sangue e urina requer análise de traços complexos. As bombas de vácuo são uma parte essencial da tecnologia.
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Quando Ben Johnson correu para a vitória, percorrendo 100 metros em 9,79 segundos nos Jogos Olímpicos de 1988 em Seul, o canadense não ganhou apenas a medalha de ouro. Ele também estabeleceu um novo recorde mundial e derrotou finalmente seu arqui-inimigo, o americano Carl Lewis. Apenas 68 horas depois, Johnson teve de devolver a sua medalha. Ele tinha recorrido ao doping e o esteroide anabolizante estanozolol foi detectado em sua urina.

Busca constante pelo desconhecido

O caso de Ben Johnson é apenas um dos muitos casos de doping em esporte de alto nível. Antigamente, assim como hoje em dia, os atletas estavam sob uma enorme pressão com relação ao seu desempenho, e os potencializadores de desempenho proibidos eram considerados por alguns como meios comprovados para alcançar o sucesso. Detectar estas substâncias em amostras de sangue e urina é um desafio, apesar dos controles periódicos e das análises de alta tecnologia. Muitas destas substâncias são metabolizadas rapidamente e o período de tempo em que podem ser detectadas é curto. Além disso, novas drogas ou variações das substâncias já conhecidas são lançadas constantemente no mercado. Por exemplo, Lance Armstrong, sete vezes vencedor do Tour de France, escapou dos testes durante anos.

Análises com a mais alta qualidade a vácuo

Na busca por substâncias suspeitas, os laboratórios certificados pela Agência Anti-Doping Mundial (World Anti-Doping Agency – WADA) confiam principalmente na combinação de cromatografia gasosa e espectrometria de massa. Usando o vácuo, esta tecnologia pode detectar até mesmo os traços mais ínfimos de alguns picogramas ou fentogramas por milímetro de urina.

Os extratos das amostras são primeiramente evaporados a alto vácuo e, depois, separados em substâncias individuais na cromatografia gasosa. Depois eles são passados um após o outro pelo espectrômetro de massa, que os classifica de acordo com a massa e a carga. Os compostos desconhecidos são primeiro ionizados, geralmente pela ionização por impacto de elétrons. Algumas moléculas desintegram-se em fragmentos carregados. Os íons resultantes são agora acelerados, passam por um campo elétrico e magnético e, finalmente, chegam ao detector.

Todo o processo ocorre em alto vácuo, de modo que os íons não são dispersos pela colisão com as moléculas de ar e desviados de seu caminho para o detector. Os sistemas de vácuo garantem uma pressão negativa constante de, no máximo, um milésimo de um milibar durante a análise.

Assim que o detector registra os sinais, o espectro correspondente à massa específica das moléculas e fragmentos é registrado. Software e bancos de dados especiais são usados para ajudar na interpretação. Isso permite tirar conclusões sobre as substâncias contidas na amostra a partir dos diferentes valores de pico e calcular a concentração destas substâncias. É então possível utilizar isto para calcular se um valor limite foi ultrapassado.

Existem dois motivos pelos quais as amostras de urina são tão importantes. Primeiramente, a maior parte das substâncias proibidas utilizadas pelos atletas são excretadas pelos rins e é por isso que estão presentes em concentrações relativamente altas nas amostras de urina. Isso faz com que sejam mais fáceis de detectar, uma vez que até os instrumentos de análise mais avançados, com a mais alta resolução, só podem determinar quantidades de substâncias até um certo limite inferior.

Além disso, várias substâncias de doping podem ser detectadas por um período mais longo na urina do que no sangue. Algumas substâncias desaparecem do sangue após um dia, mas ainda podem ser detectadas na urina de sete a dez dias depois. Atualmente, o consumo de esteroides anabolizantes pode ser detectado até quatro semanas após a sua ingestão contínua. As análises do sangue são feitas principalmente para verificar se um atleta manipulou a capacidade de transporte de oxigênio do sangue através de transfusões ou fatores de crescimento como a EPO (eritropoetina).


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